Portanto, Lilith tem em sua origem o sentido de ser um demônio que excita a luxúria, que domina a noite com sua sensualidade destrutiva e descontrolada, que seduz e enlouquece os homens, rouba as crianças e traz a perdição. Ao longo do tempo a mitologia ligada a entidades femininas voluptuosas e destrutivas foi sendo incorporada a tradições religiosas monoteístas.
Lilith teria sido a primeira esposa de Adão, mais tarde substituída por Eva. Mesmo na tradição judaico-cristã, esta é a figura de uma mulher que ousou ter desejos e não aceitar as ordens de Adão, especialmente aquelas relativas a sexualidade. Expurgada e banida para o Mar Vermelho, Lilith permaneceu em seu reino de figuras vampirescas por longos séculos, habitada por toda a sorte de fantasmas, demônios e gênios malignos, femininos ou não.
A Lilith bíblica teria, na origem de sua palavra, o significado de Layl, ou Laylah, que quer dizer noite: ela é mais uma vez denominada espírito noturno. Roberto Sicuteri, um estudioso do tema de Lilith, informa, em sua obra Lilith, a Lua negra, que Lilith-Lilitu-Lulu é a variável do demoníaco na área hebraica do Oriente Médio, expressão da paixão turva da sexualidade desenfreada que pode insidiar e submeter o homem.
Há diversas representações dessa deusa noturna, a endiabrada Lilith, que ameaçava a paz dos homens. Nas antigas esculturas e gravações em pedra surge uma mulher corpulenta, de seios fartos e boca sensual, cuja energia agressiva está presente com uma profunda vibração. As pernas femininas se transformam em presas animais. Patas de animais, como garras feias de abutre, surgem no lugar dos dedos.
Com a expressão sorridente e provocativa e cabelos que se transformam em serpentes, Lilith também apresenta asas. Ao seu lado, figuras lunares: dois cães e duas corujas. Na mitologia grega, encontraremos algumas divindades que recuperam ou fazem alusão a estas formas de Lilith, como por exemplo Hécate, a Lua Negra, com seu séquito de cães, e mesmo Palas Atena, que tem como símbolo a coruja, desta vez significando uma sabedoria feminina que foi domesticada e posta a serviço dos negócios públicos, da cidade e dos homens.
Algumas representações de Lilith também a fazem segurar o símbolo do signo da Balança, talvez como um sinal de que ela desestabiliza relacionamentos, ao mesmo tempo em que tem poder sobre eles. E por que Lilith é a representação da Lua Negra? Em primeiro lugar, porque domina a noite, é o espírito da noite, esse espírito feminino maligno que ameaçava especialmente as mulheres, as crianças e os recém-casados. É a Lua enquanto regente da infância, como simbolismo da emoção, que varia e pode desequilibrar os recém-noivos. Em algumas fontes antigas, especialmente ligadas ao judaísmo, Lilith tem a conotação da sensualidade perigosa. Aconselhava-se aos homens que nunca dormissem sozinhos em uma casa, para não serem pegos por ela. A imaginação popular antiga dizia também que Lilith jamais ficava em paz, parada em um lugar. A deusa nunca tem repouso, sempre dedicada a desafogar sua fúria contra Deus e os homens, como revela o astrólogo italiano R. Sicuteri, em obra já mencionada.
Atribuições simbólicas na astrologia
Na astrologia existem várias Liliths. Uma delas é um asteróide descoberto em 1181 que demora cinco anos para percorrer todos os signos. Em 1897, o astrônomo alemão George Waltemath documentou pela primeira vez o que chamou de Lua Escura, um corpo não-refletivo que orbita a Terra a cada 119 dias. O astrólogo inglês Sepharial deu-lhe o nome de Lilith, mas nem todos o utilizam.Mas a mais importante das Liliths é a Lilith como Lua Negra ou Lulu, que na realidade é um ponto determinado matematicamente no trajeto da órbita lunar. É o apogeu lunar, o ponto mais longínquo da Lua quando vista da Terra. A Lua Negra (denominação norte-americana) ou Lulu (denominação do Colégio Astrológico da França) demora nove anos para transitar todos os signos.
A astróloga norte-americana Demetra George descreve o simbolismo de Lilith como o de uma deusa noturna que controla e doma os animais selvagens e que representa o princípio da ira reprimida e da resolução de conflitos. Oriunda da mitologia sumeriana, pois fazia parte do séquito de Inana, a deusa todo-poderosa dos babilônios, Lilith se torna – como falamos – o símbolo do medo masculino de sua potência e de sua sexualidade.
Segundo Demetra, Lilith une-se, enquanto símbolo, a um outro asteróide de conotação masculina, Toro. Ambos carregam conteúdos de poder sexual pessoal e ira reprimida. Nas relações humanas, Lilith e Toro representariam um par que simboliza ou o abandono e a rejeição ou a disposição para uma negociação habilidosa e para o compromisso.
Quando reprimida, a energia de Lilith transforma-se em dominação e violência, manipulação e destruição. No lado luminoso do simbolismo da deusa destacam-se a arte do consenso e a transformação positiva dos relacionamentos.


