A LUZ DOS XAMÃS - ORIENTAÇÃO ENERGÉTICA - Carlos Henrique Guimarães
(Xamã Ererê - Cotidiano da Aldeia - http://www.xamas.com.br/)
“Chovia forte. Sentei-me à beira do raso riacho. Contemplei o suave curso das águas, salpicadas pelos pingos da densa chuva. Fazia frio. A baixa temperatura me mantinha vibrante e a chuva parecia me transformar em límpido cristal. Ouvi gritos me chamando de volta à aldeia. Chamavam minha atenção para o acolhedor calor da tenda, produzido pela pequena fogueira em seu interior. Sorri para aqueles atenciosos guerreiros, mas permaneci onde estava. Sentia-me bem. Jamais havia percebido, com tamanho prazer, o frio, a chuva, o aroma da mata, o cheiro de relva molhada, o colorido da aldeia, as serenas e sempre renovadas águas do riacho, o incessante movimento dos animais, o céu nublado, as audaciosas frestas azuis que nele deixavam vazar a luz do sol. Era a vida! Simples... em sua instigante complexidade. Com um grito de alegria, lancei meu corpo para trás e fui envolvida pela relva encharcada. Não dependia de nada para ser feliz. Bastava-me reconhecer a vida e suas possibilidades! Fiquei ali saboreando aquela revelação. Sorri de felicidade ao perceber que pingos de chuva ainda acarinhavam meu corpo quando insinuantes raios de sol já invadiam aquele momento...”
(Xamã Ererê – http://www.xamas.com.br/)
“Estar em paz, sabendo 'quem você é', certamente é uma grande conquista. Entretanto, busque também outro tesouro: estar em paz, reconhecendo 'quem você não é'...”
(Xamã Sherotáia Kê Takoshemí - http://www.xamas.com.br/)
(Xamã Sherotáia Kê Takoshemí - http://www.xamas.com.br/)
Observando o horizonte, acomodada sobre uma pedra, disse a jovem índia em voz alta: “Fiz grandes conquistas... Lancei-me à vida com entusiasmo e coragem, mobilizei todas as minhas forças, mas não consigo afastar a ameaça da perda... isso me parece uma contradição...”. Neste momento, uma águia que aquela cena observava, aproximou-se... e tal como uma mensageira do Grande Espírito, sussurrou: “A perda será tão doída quanto mais apaixonada for a entrega... Entretanto, a perda não é natural conseqüência da entrega... nem a sua negação... a verdadeira ameaça à entrega se ergue em você mesma: o medo...”
(Xamã Ererê - Cotidiano da Aldeia - http://www.xamas.com.br/)
“Chovia forte. Sentei-me à beira do raso riacho. Contemplei o suave curso das águas, salpicadas pelos pingos da densa chuva. Fazia frio. A baixa temperatura me mantinha vibrante e a chuva parecia me transformar em límpido cristal. Ouvi gritos me chamando de volta à aldeia. Chamavam minha atenção para o acolhedor calor da tenda, produzido pela pequena fogueira em seu interior. Sorri para aqueles atenciosos guerreiros, mas permaneci onde estava. Sentia-me bem. Jamais havia percebido, com tamanho prazer, o frio, a chuva, o aroma da mata, o cheiro de relva molhada, o colorido da aldeia, as serenas e sempre renovadas águas do riacho, o incessante movimento dos animais, o céu nublado, as audaciosas frestas azuis que nele deixavam vazar a luz do sol. Era a vida! Simples... em sua instigante complexidade. Com um grito de alegria, lancei meu corpo para trás e fui envolvida pela relva encharcada. Não dependia de nada para ser feliz. Bastava-me reconhecer a vida e suas possibilidades! Fiquei ali saboreando aquela revelação. Sorri de felicidade ao perceber que pingos de chuva ainda acarinhavam meu corpo quando insinuantes raios de sol já invadiam aquele momento...”
(Xamã Ererê – http://www.xamas.com.br/)
“Ter medo do futuro é imaginar e projetar o indesejável... Ter amor pelo futuro é reconhecer e construir os sonhos... Ter medo do passado é admitir a ressonância dos desapontamentos vividos... Ter amor pelo passado é confortar-se com os ecos dos encantamentos sentidos... Ter medo do presente é refugiar-se no passado ou no futuro... É opção sofrida... Ter amor pelo presente é exaltar passado e futuro... É opção pela vida...”Xamã Ererê -http://www.xamas.com.br/)
“Para uns, as flores representam manifestações da complexidade da vida. Para outros, delicadas expressões da sua simplicidade. Por vezes, eu transportava essa ambígua visão para a minha vida. A complexidade existencial, que para mim significava a dificuldade de satisfação dos meus íntimos anseios, me reprimia a vontade de definir meus... objetivos práticos de vida. Eu ainda não compreendia que a satisfação de meus anseios era efeito de minhas ações e não condição para eu agir. Esse desconhecimento era então um cômodo argumento para eu, literalmente, não viver! Quando realizei que tanto para determinar meus objetivos de vida quanto para me mover em sua direção, me bastava rejeitar a minha impotência diante das ditas complexidades e desejar viver, eu me vi diante do poder da simplicidade... Descobri então que para eu sair da condição de uma semente encravada em terras secas e mesmo do estado de uma poderosa, porém adormecida semente em terras férteis, eu precisava dizer “não” à noção de complexidade como sedativo existencial. Dizendo “sim” a simplicidade, lembrei que eu estava na vida para me fazer brotar, tal como fazem, com rara simplicidade, as expressivas e encantadoras flores...”(Xamã Ererê – http://www.xamas.com.br/)
“Linda e sorridente guerreira, hoje você conhecerá a única pessoa que foi capaz de fazer brotar a mulher em que você se tornou. Do seu otimismo diante da vida, a que sempre foi uma incansável incentivadora. De cada movimento seu em direção aos sonhos, uma paciente e inspirada orientadora. Sem a subjetiva reflexão e o objetivo entusias...mo dessa pessoa, talvez você não conhecesse o verdadeiro significado do amor e do amar, da vida e do viver. Cubra-se com a sua melhor veste e com ela adorne a percepção que aflorou em você. Respire profunda e lentamente. Deixe escapar seu sempre genuíno sorriso e abandone a tenda. Penetre no lindo dia que ainda nasce no brilhante horizonte e vá ao encontro de quem a transformou nessa admirável mulher. Caminhe sem pressa em direção ao lago de águas serenas, ajoelhe-se à sua beira, lance seu olhar para a superfície espelhada das suas águas e nela veja o reflexo da única pessoa que seria capaz de fazer brotar a mulher em que você se tornou: você... e seu sempre genuíno sorriso...”
(Xamã Ererê – http:www.xamas.com.br)
“Você não enxerga um futuro acolhedor e isso a inquieta. Sente-se na escuridão à luz do dia, sem referência do melhor caminho, e o chão que hoje pisa não tem vestígios de afetividade. Tudo parece ameaçador em você e à sua volta. Então, onde estiver e como estiver, você paralisa. Linda guerreira, o que você vem alimentando é o medo, al...go para mim irreal porque, não raramente, ele é uma mera e insidiosa projeção de circunstâncias desfavoráveis. Faça aflorar o sentimento alternativo! Qual? O amor! Por que imaginar e concretamente antecipar situações indesejáveis, se com o desapego ao medo e a escolha do amor, você pode projetar a beleza existencial, a abundância? Não aceite que o medo comande a sua vida porque ele não a levará a lugar algum, senão ao território da inação e do inconformismo. Aja para que as suas vibrações, as que efetivamente constroem a atmosfera que a envolve, sejam concebidas pelo amor que reclama eclodir em você. Encare isso como um inadiável e essencial exercício humano e espiritual. Dele resulta uma atitude e conduta otimistas em relação à vida... e essa é a chave para viver e não só existir...”
(Xamã Ererê – http://www.xamas.com.br/)
Disse a bela índia: ‘Preciso saber em que deverei mudar para ser uma pessoa melhor do que tenho sido... Quem sabe, aprender mais sobre a simplicidade da suficiência e a complexidade do excesso? Descobrir a diferença entre dificuldades reais e imaginárias? Não ser parte das dificuldades, mas sim artesã das suas soluções? Desaprender ar...raigados hábitos não mais necessários, desejáveis ou prazerosos? Reconhecer que tenho priorizado o que me parece urgente em detrimento do que me é essencial? Falar menos... e mais silenciar? Ouvir menos... e mais escutar? Discernir entre a efemeridade do que é bonito e a eternidade do que é belo? Perdoar verdadeiramente? Amar... e não só sentir o amor? Oriente-me, amigo... São essas as perguntas que devo fazer?’
Sorrindo, responde o índio guerreiro: ‘Não... Essas não são as perguntas que você deve fazer... Essas já são as respostas que você precisa escutar’...
(Xamã Ererê - http://www.xamas.com.br/)
“Sabia que devia prosseguir... e ali estava eu diante de três caminhos:
À minha ...esquerda a trilha que beirava o rio. Por ela, eu caminharia refrescado pelas claras águas que fluíam em direção ao mar; por ela, teria minha sede saciada a qualquer momento e abreviaria meu caminho se pelo fluxo das águas me deixasse puxar...
À minha direita, o caminho cortava a enorme selva. Árvores ofereceriam acolhedoras sombras e saborosos frutos, se pelo verde das matas me deixasse levar...
À minha frente, as desafiadoras e mágicas montanhas... O caminho mais próximo do céu... Por ali, tudo eu contemplaria... Se para a esquerda olhasse, admiraria o rio serpenteando pela pradaria e, em forma de cachoeiras, sua incontida alegria... Se para a direita me virasse, contemplaria o manto verde das florestas e sua instigante sabedoria...
O caminho das águas, das matas ou das montanhas? Qual deles?
Não importa... Tudo é vida... O que vale é fazer da alegria das águas, da sabedoria das matas ou da visão das montanhas... de qualquer um deles... a melhor razão para prosseguir...”
(Xamã Sherotáia Kê Takoshemí - www.xamas.com.br )http://www.xamas.com.br/
Sorrindo, responde o índio guerreiro: ‘Não... Essas não são as perguntas que você deve fazer... Essas já são as respostas que você precisa escutar’...
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“Sabia que devia prosseguir... e ali estava eu diante de três caminhos:
À minha ...esquerda a trilha que beirava o rio. Por ela, eu caminharia refrescado pelas claras águas que fluíam em direção ao mar; por ela, teria minha sede saciada a qualquer momento e abreviaria meu caminho se pelo fluxo das águas me deixasse puxar...
À minha direita, o caminho cortava a enorme selva. Árvores ofereceriam acolhedoras sombras e saborosos frutos, se pelo verde das matas me deixasse levar...
À minha frente, as desafiadoras e mágicas montanhas... O caminho mais próximo do céu... Por ali, tudo eu contemplaria... Se para a esquerda olhasse, admiraria o rio serpenteando pela pradaria e, em forma de cachoeiras, sua incontida alegria... Se para a direita me virasse, contemplaria o manto verde das florestas e sua instigante sabedoria...
O caminho das águas, das matas ou das montanhas? Qual deles?
Não importa... Tudo é vida... O que vale é fazer da alegria das águas, da sabedoria das matas ou da visão das montanhas... de qualquer um deles... a melhor razão para prosseguir...”
(Xamã Sherotáia Kê Takoshemí - www.xamas.com.br )http://www.xamas.com.br/
“Seja uma delicada folha. Deixe-se flutuar nas águas dos rios... e deslizar. Contemple as margens e delas as sempre renovadas paisagens. Veja como os rios, seduzidos por aquela beleza, renunciam a um pouco das suas águas, para umedecer a terra. Nela fazem brotar ainda mais encanto. Note como as águas se poupam de desnecessários embate...s. Elas não precisam destruir as pedras que encontram pelos caminhos. Apenas as contornam delicadamente e prosseguem o seu curso. Vivencie a turbulência das águas serpenteando pelas planícies. Surpreenda-se com o vertiginoso espetáculo das cascatas. Aprenda com os rios, a determinação de se fundir com os oceanos e a alegria ao encontrá-los. Deixe-se agora flutuar nas águas dos grandes mares... Você poderia imaginar que uma delicada folha poderia chegar tão longe?”(Xamã Sherotáia Kê Takoshemí - http://www.xamas.com.br/ )